Você foi ao oftalmologista para tratar a catarata e ouviu uma frase que não esperava:
“Antes da cirurgia, precisamos avaliar sua retina.”
Para muitos pacientes com diabetes, isso gera dúvidas. Afinal, se o problema é a catarata, por que o médico está tão preocupado com a retina?
A resposta é simples: a cirurgia de catarata trata apenas a catarata. Se existir uma doença na retina causada pelo diabetes, ela também pode estar prejudicando a visão e influenciar diretamente o resultado da cirurgia.
É por isso que a avaliação da retina é considerada uma das etapas mais importantes no planejamento da cirurgia de catarata em pacientes diabéticos.
Neste artigo, você vai entender por que essa avaliação é indispensável, quais exames costumam ser realizados e como o acompanhamento com um especialista em retina ajuda a proporcionar um resultado visual mais seguro e previsível.
Diabetes pode afetar muito mais do que o cristalino

Quando pensamos em catarata, lembramos do cristalino, a lente natural do olho que perde a transparência com o passar dos anos.
No entanto, o diabetes pode causar alterações em uma estrutura ainda mais importante para a visão: a retina.
A retina é responsável por captar a luz que entra no olho e transformar essa informação em impulsos enviados ao cérebro. É ela que permite enxergar detalhes, reconhecer rostos, ler, dirigir e realizar praticamente todas as atividades do dia a dia.
Quando a glicemia permanece elevada por muito tempo, pequenos vasos sanguíneos da retina podem sofrer danos progressivos, dando origem à retinopatia diabética.
Isso significa que um paciente pode apresentar duas doenças diferentes ao mesmo tempo:
- Catarata;
- Retinopatia diabética.
Se apenas a catarata for tratada, a visão pode não melhorar tanto quanto o esperado.
Por que a retina interfere no resultado da cirurgia de catarata?
Imagine uma câmera fotográfica.
A catarata funciona como uma lente embaçada.
Já a retina funciona como o sensor que registra a imagem.
Trocar apenas a lente melhora a entrada de luz, mas, se o sensor estiver danificado, a qualidade da imagem continuará limitada.
É exatamente isso que acontece no olho.
A cirurgia remove o cristalino opaco, mas não corrige alterações já existentes na retina.
Por isso, antes de indicar a cirurgia, o oftalmologista precisa responder uma pergunta muito importante:
A baixa visão está sendo causada apenas pela catarata ou a retina também está comprometida?
Essa informação permite orientar corretamente o paciente sobre o resultado esperado e definir se algum tratamento deve ser realizado antes da cirurgia.
O que é a retinopatia diabética?
A Retinopatia Diabética é uma das complicações mais comuns do diabetes.
Ela acontece quando o excesso de glicose danifica os pequenos vasos sanguíneos da retina.
Inicialmente, podem surgir pequenas áreas de vazamento e micro-hemorragias.
Com o passar do tempo, a doença pode evoluir para:
- Hemorragias maiores;
- Formação de vasos sanguíneos anormais;
- Cicatrizes;
- Descolamento de retina;
- Perda permanente da visão.
O maior desafio é que, nas fases iniciais, a retinopatia diabética geralmente não provoca sintomas.
Muitas pessoas acreditam estar enxergando normalmente até que a doença já esteja em estágio avançado.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o acompanhamento oftalmológico periódico é uma das principais formas de prevenir a perda visual causada pelo diabetes.
O edema macular também pode comprometer a visão

Além da retinopatia, muitos pacientes desenvolvem o chamado edema macular diabético.
A mácula é a região central da retina responsável pela visão de detalhes.
É ela que utilizamos para: ler, escrever, reconhecer pessoas, dirigir, usar o celular
Quando os vasos da retina começam a vazar líquido, essa região pode ficar inchada.
Esse edema da mácula provoca sintomas como:
- Visão central embaçada;
- Imagens distorcidas;
- Linhas retas parecendo onduladas;
- Dificuldade para leitura;
- Redução da nitidez.
Se o edema não for identificado antes da cirurgia de catarata, o paciente pode retirar a catarata e, ainda assim, continuar com dificuldade para enxergar.
Quando é necessário tratar a retina antes da cirurgia?
Nem todos os pacientes precisam de tratamento antes da cirurgia de catarata.
Tudo depende do estágio da doença.
Quando o oftalmologista identifica alterações importantes, pode recomendar tratar primeiro a retina para depois realizar a cirurgia.
Entre os tratamentos mais utilizados estão:
- Aplicações de laser na retina;
- Injeções intraoculares;
- Controle mais rigoroso da glicemia;
- Acompanhamento especializado.
Essa estratégia aumenta as chances de uma recuperação visual mais satisfatória.
Em muitos casos, tratar primeiro a retina significa oferecer um resultado melhor após a cirurgia.
A cirurgia de catarata pode piorar a retinopatia?
Essa é uma dúvida bastante comum.
A cirurgia de catarata não causa retinopatia diabética, mas alguns pacientes podem apresentar progressão da doença ou aumento do edema macular após o procedimento devido à reação inflamatória desencadeada pela cirurgia..
Esse risco costuma ser maior quando:
- O diabetes está mal controlado;
- Já existe retinopatia ativa;
- O edema macular não foi tratado previamente.
Por isso, o acompanhamento antes e depois da cirurgia é tão importante.
Quando essas alterações são identificadas precocemente, podem ser tratadas rapidamente.
A importância do especialista em retina

Pacientes diabéticos nem sempre precisam apenas do cirurgião de catarata.
Quando existe suspeita de comprometimento da retina, o acompanhamento com um especialista em retina faz toda a diferença.
Esse profissional possui treinamento específico para diagnosticar e tratar doenças que afetam a parte interna do olho.
Durante a avaliação, ele pode identificar:
- Retinopatia diabética;
- Edema macular;
- Buraco macular;
- Degeneração macular;
- Rasgos e buracos retinianos periféricos assintomáticos;
- Outras alterações que podem interferir no resultado da cirurgia.
Além disso, trabalha em conjunto com o cirurgião de catarata para definir o melhor momento para operar.
Esse cuidado integrado oferece mais segurança e expectativas mais realistas para o paciente.
Como proteger a retina antes da cirurgia
Embora nem todos os fatores possam ser controlados, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de complicações.
Entre eles:
- Manter a glicemia controlada;
- Controlar a pressão arterial;
- Não fumar;
- Comparecer às consultas oftalmológicas regularmente;
- Realizar os exames solicitados;
- Seguir corretamente os tratamentos indicados.
Quanto mais cedo as alterações da retina forem identificadas, maiores são as chances de preservar a visão.
Perguntas Frequentes
Todo paciente diabético precisa fazer exame da retina antes da cirurgia?
Sim. A avaliação da retina faz parte do planejamento da cirurgia porque ajuda a identificar alterações que podem influenciar o resultado visual.
O OCT substitui o mapeamento de retina?
Não. Os dois exames são complementares. Enquanto o mapeamento permite uma visão ampla do fundo do olho, o OCT mostra detalhes das camadas da retina e da mácula.
Se eu tratar apenas a catarata, minha visão vai melhorar?
Depende. Se existir retinopatia diabética ou edema macular, essas doenças também podem limitar a recuperação visual.
A cirurgia pode piorar a retina?
Em alguns pacientes pode ocorrer aumento do edema macular ou progressão da retinopatia. Por isso, o acompanhamento antes e depois da cirurgia é fundamental.
Quem tem retinopatia não pode operar catarata?
Pode. Em muitos casos, basta tratar ou estabilizar a retina antes da cirurgia para aumentar as chances de um bom resultado.
O acompanhamento continua depois da cirurgia?
Sim. O diabetes continua podendo afetar a retina mesmo após a retirada da catarata, por isso as consultas periódicas permanecem importantes.
Um bom resultado começa antes da cirurgia
A cirurgia de catarata pode devolver nitidez e qualidade de vida, mas, em pessoas com diabetes, o sucesso do tratamento começa muito antes do dia do procedimento.
Avaliar cuidadosamente a retina, identificar possíveis alterações e tratá-las quando necessário permite que a cirurgia seja realizada com mais segurança e expectativas mais realistas.
Mais do que remover a catarata, o objetivo é preservar a sua visão da melhor forma possível.
Agende uma avaliação completa
Se você tem diabetes e recebeu indicação para cirurgia de catarata, uma avaliação detalhada da retina é um passo fundamental para um bom resultado.
Na CORE Oftalmologia, a cirurgia é planejada de forma individualizada, considerando não apenas a catarata, mas também a saúde da retina e da mácula.
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