A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais causas de perda visual em pessoas acima dos 55 anos. Ela afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes finos, leitura, reconhecimento facial e percepção de cores.
Com o envelhecimento, essa área pode sofrer alterações que levam à redução progressiva da visão central. A boa notícia é que, nas últimas décadas, houve um avanço extraordinário nos tratamentos, especialmente para a forma úmida, permitindo estabilizar ou até recuperar parte da visão.
Este artigo apresenta tudo o que você precisa saber sobre o que é a DMRI, como ela surge, os sintomas, exames, tratamentos modernos, opções cirúrgicas e como reduzir os riscos.
O que é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)?

A DMRI é uma doença degenerativa que atinge a mácula. Ela ocorre principalmente devido ao envelhecimento das células responsáveis pela visão central e das estruturas que as sustentam.
Ao longo dos anos, resíduos metabólicos acumulam-se sob a retina, prejudicando a nutrição local. Em alguns casos, novos vasos sanguíneos anormais tentam se formar para compensar a falta de oxigênio, e é aí que surgem os maiores problemas.
A DMRI não causa cegueira total, pois preserva a visão periférica, mas pode comprometer severamente a visão central, afetando a qualidade de vida.
Tipos de Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)

A DMRI é dividida em duas formas principais, cada uma com impactos e tratamentos diferentes:
1. DMRI seca (ou atrófica)
É a forma mais comum, representando cerca de 85–90% dos casos. Ocorre quando há um desgaste progressivo das células da mácula (atrofia), resultando em visão borrada e perda gradual da nitidez.
- Evolução lenta
- Pode permanecer estável por anos
- Relacionada ao acúmulo de drusas (depósitos amarelados sob a retina)
Pense na mácula como o “sensor” de uma câmera fotográfica: com o tempo, alguns pixels começam a “desligar” lentamente.
2. DMRI úmida (ou exsudativa)
É a forma menos comum, porém mais agressiva. Caracteriza-se pelo surgimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina (neovascularização). Esses vasos são frágeis e costumam vazar sangue e líquido, causando perda rápida da visão central.
- Evolução rápida
- Maior risco de danos permanentes
- Responde bem a tratamento precoce
É como se raízes de uma planta crescessem por baixo de uma calçada e começassem a quebrar o piso: a estrutura se deforma rapidamente.
Sintomas da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)

Os sintomas variam conforme o estágio da doença, mas incluem:
- Visão central borrada
- Dificuldade para ler ou ver detalhes finos
- Distorção de linhas retas (metamorfopsia)
- Cores menos vibrantes
- Necessidade de mais luz para enxergar
- Mancha escura fixa no centro da visão (na DMRI úmida)
- Percepção de “sombra” ou falha no campo central
Pacientes frequentemente relatam que ao olhar para uma porta ou janela, as linhas parecem onduladas, um sinal clássico de DMRI úmida.
Como é feito o diagnóstico para a DMRI

A avaliação é realizada por um oftalmologista especialista em retina. Os principais exames incluem:
1. OCT (Tomografia de Coerência Óptica)
Mostra cortes detalhados da mácula, revelando drusas, atrofias ou acúmulo de líquido. É essencial no monitoramento.
2. Angiografia fluoresceínica ou com verde indocianina
Ajuda a identificar vasos anormais e áreas de vazamento na forma úmida.
3. Mapeamento de retina
Permite avaliar a retina como um todo e identificar áreas de degeneração.
4. Teste de Amsler
Grade usada para detectar distorções e buracos no centro da visão.
5. Retinografia
Documenta imagens fotográficas da mácula para acompanhamento anual.
Tratamentos para a DMRI seca

Ainda não existe cura para a DMRI seca, mas há formas eficazes de retardar a progressão, proteger a mácula e preservar a visão por mais tempo.
1. Suplementação AREDS/AREDS2
Estudos amplamente reconhecidos (AREDS, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA) mostraram que suplementos específicos reduzem a progressão da DMRI intermediária.
A formulação AREDS2 inclui:
- Luteína
- Zeaxantina
- Vitamina C
- Vitamina E
- Zinco
- Cobre
Esses antioxidantes ajudam a proteger a mácula dos danos oxidativos. Veja aqui uma referência científica.
2. Mudanças de estilo de vida
- Não fumar (o tabagismo é o principal fator de risco modificável)
- Alimentação rica em antioxidantes (folhas verdes, cenoura, peixes ricos em ômega-3)
- Controle da pressão arterial
- Atividade física regular
- Proteção solar (óculos com filtro UV)
3. Acompanhamento frequente
Pacientes com DMRI seca devem realizar OCT e retinografia regularmente para detectar conversão para a forma úmida.
Tratamentos para a DMRI úmida

A DMRI úmida é tratável, e a maioria dos pacientes pode estabilizar ou recuperar visão com terapia adequada.
1. Injeções intravítreas de anti-VEGF
São o principal tratamento. Os anti-VEGF bloqueiam a substância responsável pela formação de vasos anormais.
Principais medicamentos:
- Ranibizumabe
- Aflibercepte
- Bevacizumabe
- Faricimabe
Como funcionam? Eles “desligam” os vasos sanguíneos doentes e impedem novos vazamentos. O edema diminui e a mácula retoma seu formato, melhorando a visão.
Esquemas de tratamento:
- Mensal (início)
- “Tratar e estender” (intervalos crescentes)
- Sob demanda (menos comum hoje)
A maioria dos pacientes necessita de aplicações contínuas.
2. Terapia fotodinâmica (PDT)
Utiliza um corante e luz especial para selar vasos anormais. Atualmente é usada apenas em casos selecionados ou quando anti-VEGF falham.
3. Laser térmico
Raramente utilizado hoje, pois pode danificar tecido saudável.
Novas pesquisas e tratamentos emergentes sobre a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)

O campo da DMRI evolui rapidamente. Entre as novas abordagens estudadas estão:
- Terapias gênicas para reduzir a inflamação crônica da mácula
- Inibidores de complemento (já aprovados em alguns países para DMRI seca avançada)
- Implantes de células-tronco
- Fármacos com ação dual (anti-VEGF + anti-inflamatório)
A Fundação BrightFocus acompanha avanços científicos na DMRI.
O que esperar do tratamento?

Na DMRI úmida
- Muitos pacientes estabilizam a visão
- Cerca de 30–40% recuperam alguns graus de acuidade visual
- O início do tratamento deve ser o mais rápido possível
- O intervalo e a continuidade do tratamento deve ser invidualizado para cada caso pelo especialista em retina
- Interromper as injeções sem a avaliação especializada pode causar piora rápida da visão e do quadro clínico
Na DMRI seca
- O foco é retardar a progressão
- Mudanças no estilo de vida têm forte impacto
- Suplementos AREDS/AREDS2 podem reduzir o risco de progressão para DMRI avançada
Como reduzir o risco de desenvolver DMRI

Mesmo que a genética desempenhe papel importante, há medidas comprovadas:
- Parar de fumar (reduz o risco em até 50%)
- Alimentação rica em luteína e zeaxantina (espinafre, couve, gema de ovo)
- Consumo de peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha)
- Exercício físico regular
- Controle de pressão arterial e colesterol
- Proteção solar adequada
- Exames preventivos anuais para quem tem +50 anos
Conclusão
A DMRI não é uma sentença de perda visual inevitável. Graças aos avanços modernos, especialmente as terapias anti-VEGF, é possível controlar a doença, preservar a independência e manter a qualidade de vida por muitos anos.
Como em toda doença da retina, o diagnóstico precoce é o fator que mais influencia o sucesso do tratamento. Ao perceber visão distorcida, falhas no centro da visão ou dificuldade para ler, procure um oftalmologista especialista em retina imediatamente.
Com acompanhamento correto e tratamento adequado, a visão pode ser preservada com segurança.
Contatos:
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